Estilista Alexandre Herchcovitch na Febravar

Alexandre Herchcovitch na Febravar

Com mais de 20 anos de carreira, um dos estilistas mais conhecidos do Brasil desembarca em Porto Alegre para participar da 4ª edição da Febravar. Alexandre Herchcovitch estará hoje no Congresso Brasileiro do Varejo, que será realizado no Centro de Eventos do BarraShoppingSul. No evento, ele contará sua trajetória na moda, das 14h às 14h30, e a partir das 14h30 fará um bate-papo com Lilian Pacce, editora-chefe e apresentadora do GNT Fashion. A mediação será por conta de Tatiane Alves e as inscrições estão abertas.

Herchcovitch começou sua relação com a moda aos 13 anos e nunca mais parou, criando a sua marca própria em 1993 e iniciando os desfiles fora do País em 1996. Em 2008, ele vendeu a grife que leva seu nome e, este ano, saiu definitivamente da direção criativa da marca. Menos de dois meses depois, ele desfilou sua primeira coleção na São Paulo Fashion Week para a marca À La Garçonne, para a qual segue desenvolvendo novas peças, além dos trabalhos de consultoria em desenvolvimento de marca e produtos para algumas empresas. Conheça a seguir suas opiniões sobre moda e varejo.

Herchcovitch é o entrevistado do mês de julho da Conexão Varejo, do Sindilojas Porto Alegre. Confira abaixo:

O que você leva em conta antes de criar cada coleção?

O cliente, o momento e as minhas vontades.

Qual você acredita que é o “sentido” da moda que ainda falta ser percebido e utilizado pelo varejo?

Que as pessoas se comunicam por meio das roupas, isso tem que ser percebido por quem está entre estes dois pontos – o consumidor e os produtos –, o varejo.

Além de vestuário, você já assinou objetos como canecas, chaveiros, porcelanas, almofadas, que sempre fazem sucesso, exemplificando o apego às marcas. Para você, qual o papel das marcas para os clientes?

Mostrar um lifestyle por meio dos produtos e ajudar o cliente a se expressar e se vestir.

Quais as principais diferenças de criar suas coleções e criar produtos em parceria para outras marcas, como C&A, Chilli Beans e Tok & Stok, por exemplo?

A diferença basicamente é o cliente e as faixas de preços a serem observadas. Mas o estilo da marca deve permanecer o mesmo seja qual produto for.

Você diz que um dos maiores cuidados da marca deve ser com sua “alma”. Como os varejistas podem preservar a alma do seu negócio?

Mantendo-se fiéis ao estilo da loja, independentemente das tendências.

Como você explica o fato de lojas populares estarem levando mais a moda em consideração nas suas coleções?

Quem tem a ganhar com isso é o consumidor, que tem mais opções.

A sua primeira coleção para a À La Garçonne usou o conceito de upcycling, que reutiliza materiais e estimula o não desperdício. Para você, qual a importância da sustentabilidade na moda e no varejo?

Acredito que a sustentabilidade é um assunto que não pode ser deixado de lado, seja pela moda ou por qualquer outro setor.

Qual o sentido da moda extravagante das passarelas, que a maioria das pessoas não cogita usar?

Creio que existem clientes para todos os produtos. O desfile é um espaço de tempo muito curto onde você tem que mostrar sua ideia, portanto muitas vezes as criações parecem não vestir ninguém, mas o contrário se faz verdade. As roupas desfiladas têm destino certo e costumam ser as primeiras a vender.

O que mais te encanta no varejo do Brasil?

A diversidade, pois no Brasil vende-se de tudo e tem público para tudo, já que somos um país diverso e rico. E a maior riqueza são as pessoas.

Qual a principal dificuldade em fazer moda no Brasil?

As dificuldades são as mesmas em qualquer lugar. Precisa saber no que você é expert e se aprofundar nisso, além de pesquisar quem são seus concorrentes e seu público-alvo antes de montar seu próprio negócio.

Que dica você daria para o pequeno lojista que trabalha com moda ter sucesso?

Pesquise a concorrência e tente fazer algo que seja diferente do seu vizinho. Hoje um bom atendimento é essencial, pois cativa o cliente.

Fonte: Sindilojas